sexta-feira, 2 de julho de 2010

A RELAÇÃO ENTRE PSICANALISE E FÉ CRISTÃ


Embora tenhamos um bom números de pastores e cristãos em geral exercendo ou estudando a psicanálise, ainda existe controvérsia a respeito da relação entre a “psicanálise e fé cristã” esta controvérsia existe no Brasil devido principalmente ao problema maior que tanto a Bíblia quanto Freud mostram que existem: a (nada santa) ignorância! Freud ao desenvolver o método psicanalítico, sua intenção consistia em levar o paciente ao insight, ou seja; ao conhecimento de seu verdadeiro EU, o auto-conhecimento por meio do qual é possivel trabalhar na reestruturação da personalidade. Salomão já dizia, que o conhecimento é o segredo para obter-se a sabedoria para a vida na terra. Jesus disse que o conhecimento da verdade é o meio de libertação do ser humano, e Paulo enfatizou que a felicidade real viria através do conhecimento.


Podemos constatar a Ignorância de psicanalistas de algumas escolas contrárias aos novos psicanalistas brasileiros, que são também, em sua maioria, defendem a fé. Ignoram que aquilo que vai separar o profissional de um bom trabalho não será sua religião ou profissão paralela, mas sua postura tanto num quanto noutro ambiente.


Vemos também a Ignorância de determinados pastores que, não conhecendo o que é psicanálise, dizem que a psicanálise é incompatível com a Bíblia. Ignoram que a verdade é manifestação de Deus, em qualquer área.


Para uma melhor compreensão do assunto, é suficiente citar algumas obras relacionadas ao tema, publicados no Estado Unidos, tais como: Paul Tournier que escreveu diveros livros enfatizando psicanálise e fé cristã, dentre eles “ Bíblia e Medicina”. Um outro autor muito importante neste caso, é Pierre Solignac, médico psiquiatra, que escreveu um livro encontrado em português, “ A Neurose Cristã”. Tendo trabalhado durante vários anos dando atendimento a pessoas neuróticas, e cristãos inclusive, pode assim dar uma grande contribuição ao assunto. Em sua obra ele apresenta porque muitos religiosos, principalmente líderes, sofrem com tantas perturbações. Fala também sobre a neurose institucional da Igreja, a neurose cristã e a civilização, Jesus, Homem Livre e assim por diante. Creio que deveria mostrar em terceiro lugar o livro de Victor E. Frankl, para psiquiatras e outros cristãos que exercem a psicanálise, “ Psicoterapia e Sentido da Vida”. É interessante o capítulo denominado “A Neurose Dominical”, à pg. 168. C. G. Jemy escreveu “Psychology of the Inconscience”, onde fala sobre a “autonomia da mente inconsciente”. Paul Lachapelle “Psiquiatria Pastoral”, Wise Carrol “Psychriatry and the Bible”; Leslie Weatherhead, “Psycology, Religion and Healing”; Mauro Rodriguez, um livro muito importante, “Mensaje Cristiano y Salud Mental”. Ele faz um diálogo entre psicologia da personalidade e cristianismo onde cita uma frase que vale a pena repetir: “ Para não escandalizar os ignorantes a Igreja escandalizava aos mais inteligentes”. Cito ainda H. Bless que escreveu a “ Psiquiatria Pastoral”, editado em Madri, onde diz que a psiquiatria pastoral é parte da Teologia e ensina a aplicar os princípios da Psiquiatria à direção dos anormais. É um livro que ajuda o psicanalista ou psiquiatra cristão no trato no consultório, nas capelanias ou no manicômio. O campo da conversão foi largamente estudado, principalmente na Psicologia da Religião. Robert O. Ferm escreveu “The Psychology of Christian Conversion”. Outras pessoas que desenvolveram o estudo psicológico da conversão foram: Wiliam James, Edwin D. Starbuck, George A. Coe, Elmer T. Clark, James H. Leuba, Eduard S. Ames, Alfred Claires Underwood, J. G. Mackenzie, Edmund W. Sinnott, Paul Johson, Suerre Norborg, dentre outros.


Há no Brasil muitas editoras católicas que têm algumas obras no campo da psicologia e psicanálise, principalmente traduções. A Editora Sinodal, da Igreja Luterana, também tem algumas obras e as outras Igrejas Evangélicas têm obras mais de auto-ajuda, geralmente são traduções de livros escritos por psiquiatras cristãos dos Estados Unidos ou outros escritores que muito se utilizam, tanto da psicanálise quanto de toda a psicologia, para trazer textos que levam de uma forma ou outra a auto-terapias. Há muitos evangélicos que lêem livros baseados em princípios psicanalíticos e não sabem que estão numa espécie de consultório virtual, mesmo que os métodos variam para aplicação dos princípios. Assim, uma pessoa que tenha manifestações histéricas, e existem muitas delas nos grupos religiosos, ao ler um livro que manda repetir várias vezes o salmo 23, sendo este tão positivo nas afirmações, ou é ajudado pela fé de forma sobrenatural por Deus, ou é ajudado pelo auto-hipnotismo que antes existia para o mal, agora redirecionado para o bem, e tudo é obra de Deus, pois não criou ele as folhas e raízes para remédio?


Ainda assim é grandiosa a falta de obras técnicas para profissionais da saúde mental que sejam cristãos ou que, e isto é importante, não sejam religiosos, mas se interessem em conhecer mais a mente do homem religioso. Por exemplo, numa obra técnica o psicanalista ateu poderá compreender como as neuroses se manifestam no cristianismo, como os superegóicos têm se juntado mais e mais em torno de denominações fanáticas, como que os perversos e outros semelhantes têm a tendência de separarem-se e formarem grupos onde não haja pressão contra as manifestações de seu Ego desestruturado, como que tantas pessoas usam o nome de Deus para realizar as tendências de suas neuroses. Também verá a verdade de alguns que galgaram vidas exemplares e sadias, apesar de suas tendências patológicas, após a sublimação voluntária e com dedicação real e cheia de amor.

Há muitos psiquiatras, psicólogos e psicanalistas de tem medo de lerem tais obras porque pensam que o que existe é uma tentativa de transformar a religião e a psicanálise numa nova seita. Sem duvida há esse perigo, para os que são maus profissionais e não compreendem a autonomia de cada ciência. Isto tem acontecido muito com as religiões místicas oriundas do oriente e muitas terapias “alternativas” têm aparecido. Por exemplo; um budista psicanalista somente será um profissional correto se for tratado, na terapia didática, do fanatismo, se conseguir ser analisável. Assim também não esperamos que alguns cristãos fanáticos sejam analisáveis e venham a se tornar psicanalistas. Agora, mesmo existindo esse perigo temos de saber que é viável que profissionais mental e emocionalmente inteligentes, culturalmente equilibrados, analisáveis, possam ser psicanalistas e possam escrever obras que venham a ajudar a todos os profissionais colegas.



Estamos precisando urgentemente de mais obras profundas como as citadas nesta bibliografia, que poderia muito ser estendida. Precisamos, inicialmente que mais traduções sejam feitas, de obras técnicas. Que mais e mais os psicanalistas cristãos se envolvam e produzam trabalhos bons.

Precisamos de professores de teologia que compreendam a importância de Freud.

Este assunto foi criado a partir de uma postagem que encontrei no Blog Psicanálise e cristianismo, postado por Jedson Lidorio, em 28 de setembro de 2008. O leitor desejando poderá conferir o assunto na sua forma original, no blog “Psicanalise e Cristianismo”.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Grandes Vultos da História da Psicanálise - Lacan


Nesta postagem, vamos estar falando sobre um grande personagem da hisória da psicanalíse: Jacques Lacan.

Jacques Marie Émile Lacan, (Era o seu nome completo) nasceu em Pariss, em 13 de abril de 1901, em uma família burguesa de origem provinciana cuja origem paterna é de fabricantes de vinagres de Orléans (os Dessaux), e de sólida tradição católica. Lacan perdeu a fé no final dos anos 20, esse foi o clímax de uma verdadeira interrogação. Como se fizera com seus outros irmãos, acrescentou-se ao seu nome o da Virgem Maria. Progressivamente, renunciaria a esse nome, nos diversos textos escritos no período entre-guerras. Seu pai, Alfred Lacan (1873-1960) era um homem fraco e trabalhava como representante comercial da empresa de vinagres, esmagado pelo poder de seu próprio pai, Émile Lacan (1839-1915). Quanto à sua mãe, Émilie Baudry (1876-1948), mais intelectual, era inteiramente voltada para a religião. Esse clima familiar, até mesmo banal, horrorizava o jovem Lacan.

Lacan era filho primogênito, depois dele viria uma irmã, Madeleine, nascida em 1903, um irmão, Raymond, morto na infância e enfim Marc-François (1908-1994), que teria por ele grande afeição. Em 1929, Marc-François se tornou monge beneditino e entrou para a abadia de Hautecombe, situada às margens do lago do Bouget, tendo inclusive participado do “Vocabulaire de théologie biblique”, publicado sob a direção de Xavier-Léon Dufour, com uma contribuição sobre o dom da presença de Deus.

Em 1918, o jovem não encontrou entre os que voltaram da guerra o pai carinhoso, moderno e cúmplice, que tanto amava na infância. No entanto, tinha sido uma tia materna quem percebera a precocidade do menino, permitindo que estudasse no colégio Stanislas, em Paris; seu condiscípulo Louis Lepreince-Ringuet relatou seus dotes de então para a Matemática. Depois de estudos no Colégio Stanislas, Lacan rompeu com o catolicismo.

Com a idade de 16 anos, admirava a “Ética” de Baruch Spinoza (1632-1677). Um ano depois, voltou-se para o nietzscheísmo, e durante algum tempo ficou fascinado com Charles Maurras (1868-1952), cujo estetismo e gosto pela língua adotou. Enfim, interessou-se pela vanguarda literária. Alfred Lacan, que desejava que seu filho mais velho assumisse a sucessão de seus negócios e desse um impulso decisivo ao comércio de mostarda, não compreendia nem aprovava sua evolução. Quanto a Émilie Lacan, ignorava tudo sobre a vida que o filho levava, fora dos caminhos da religião e do conformismo burguês.

O provinciano foi introduzido na vida mundana da capital, sendo seduzido por ela; essa dissipação não o impediu de associar aos sólidos estudos médicos um interesse eclético, mas despido de amadorismo, pelas Letras e pela Filosofia (mais os pré-socráticos e Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, Hegel [com Kojève] e Marx (com Gilson), pela História (Marc Bloch e les Annales), pela lingüística (F. de Saussure, em seus primórdios) e pelas ciências exatas (em particular, a Lógica, com B. Russel e Couturat)).

Como primeira publicação, tem-se dele um poema publicado em “Lê Phare de Neuilly” dos anos 20; obra de fatura clássica, em alexandrinos bem ritmados e de leitura sempre agradável, sem dúvida devido à submissão da forma ao fundo. Os estudos de psiquiatria misturaram-se com a freqüência aos surrealistas, o que o colocou entre os dois meios. Mais tarde, irá dizer que a apologia do amor pareceu a ele um impasse irredutível do movimento de A. Breton).

Na Paris dos anos 1920, este aspirava à glória, comparava-se a Rastignac, freqüentava a livraria de Adrienne Monnier e os surrealistas, assistia com entusiasmo à leitura pública do “Ulisses” de James Joyce (1882-1941), ligando-se a escritores e poetas. Tornando-se residente no Hospital Sainte-Anne, onde foi aluno de Henri Claude ao mesmo tempo que seu amigo Henri Ey, orientou-se para a psiquiatria, seguindo os ensinamentos de Georges Heuyer (1884-1977), Georges Dumas (1866-1946) e Gaëtan Gatian de Clérambault, cujo estilo deixaria nele uma forte marca. Em junho de 1932, começou sua análise didática com Rudolph Loewenstein e, no fim do ano, publicou sua tese sobre a história de uma mulher criminosa (Marguerite Anzieu), da qual fez um caso de paranóia de auto-punição (o caso Aimée).

Na sua tese de medicina, “Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade”, de 1932, foi um momento inaugural da sua carreira de médico psiquiatra. É assim uma ilustração clínica das potencialidades do amor, quando esse é levado ao extremo: a facada dada por Aimée na vedete que, a título de ideal, absorvia seu investimento libidinal. Porém, este estudo também representa uma ruptura com os trabalhos dos psiquiatras franceses da época, que viam na psicose paranóica um agravamento dos traços que definiam o caráter paranóico. G.G. de Clérambault, o único mestre que conseguiu apóia-lo e em relação ao qual Lacan confessará sua dívida por toda a vida, irá condena-lo, acusando-o de plágio. O cenário está montado, e nunca irá mudar: a independência de um pensamento solidamente argumentado, em choque com os mestres, a quem ele contraria e dessa forma põe a nu; e também a negativa em ceder ao orgulho do solitário. Seus estudos sobre paranóia, de fato, mostram a ele que os traços manifestados ao mundo pelo doente, são os seus, por ele próprio ignorado (dir-se-ia projetado); e um texto precoce, “Sobre a asserção de certeza antecipada” ilustra, a respeito de um sofisma, que a salvação individual não é um negócio privado, mas da inteligência coletiva, ainda que concorrente. Não há, pois, belas almas, o que seus alunos a seguir não deixarão de lhe censurar, pois não tinha nada mais a lhes propor do que a honestidade intelectual: cada um deve dela deduzir sua moral.

A descrição fenomenológica exaustiva de um caso, sua tese, dirá Lacan, levou-o à psicanálise; o único meio de determinar as condições subjetivas da prevalência do duplo na constituição do eu. Magnífica síntese de todas as aspirações freudianas e anti-organicistas da nova geração psiquiátrica francesa dos anos 1920, esse trabalho foi imediatamente considerado uma obra-prima por René Crevel (1900-1935), Salvador Dali (1904-1989) e Paul Nizan (1905-1940), principalmente, que apreciaram a utilização feita por Lacan dos textos romanescos da paciente e da força doutrinária de sua posição quanto à loucura feminina. No ano seguinte, na revista “Lê Minotaure”, Lacan dedicou um artigo ao crime cometido em Mans por duas domésticas (as irmãs Papin) contra suas patroas. Viu nesse ato, de uma intensa selvageria, uma mistura de delírio a dois, de homossexualidade latente, mas antes de tudo o surgimento de uma realidade inconsciente que escapava às próprias protagonistas. Desse drama Jean Genet (1910-1986) tirou uma peça, “Les Bonnes”, e Claude Chabrol um filme, sessenta anos depois, “La Cérémonie”.

Lacan era estimado como um brilhante intelectual fora dos meios psicanalíticos franceses, porém sofreu por não ser reconhecido pela Sociedade Psicanalítica de Paris (SPP), na qual seus trabalhos não eram levados em conta e seu anticonformismo causava irritação.

Sua análise com Loewenstein durou seis anos e meio, e acabou com um fracasso e um desentendimento duradouro entre ambos. Finalmente, graças à intervenção de Édouard Pichon, Lacan foi titularizado em 1938. Pichon reconhecia seu gênio e queria fazer dele, apesar de seu hegelianismo, o herdeiro de uma tradição “francesa” do freudismo, Lacan nunca obedeceria a essa injunção.

A passagem por Paris, em 1933, dos psicanalistas berlinenses a caminho dos Estados Unidos, deu-lhe a ocasião de dirigir-se mais a R.Loewenstein do que a A. Hesnard, R. Laforgue, E. Pichon e até mesmo à princesa Bonaparte. Uma carta que dirigiu a Loewenstein, em 1953, quando de seus atritos com o Instituto de Psicanálise, publicada muito mais tarde, testemunha uma relação de confiança com seu psicanalista, baseada em uma comunhão de rigor intelectual; essa não irá impedir, aliás, seu correspondente, então nos Estados Unidos, de condena-lo, diante de seus pares.

A paisagem psicanalítica francesa no pré-guerra era, à maneira de nossas vilas, organizadas ao redor do campanário. Não seria ofender aos seus protagonistas dizer que todos pareciam ter sido delegados por sua capela para controlar um produto importado da Viena cosmopolita: Hesnard era médico da Royale, Laforgue se envolveu na vida da colaboração, Pichon era maurassiano.

Em 1934, casou-se com Marie-Louise Blondin (1906-1983), irmã de seu amigo Sylvain Blondin (1901-1975), apelidada Malou. A viagem de núpcias foi na Itália. Pela primeira vez, Lacan descobriu com encantamento a cidade de Roma, pela qual se apaixonou, como Freud. Mas a cidade antiga lhe interessava menos do que a Roma católica e barroca. Durante horas, contemplou os êxtases de Bernini e a arquitetura das igrejas e dos monumentos.

Desde o início, o casamento foi insatisfatório. Malou acredita ter-se casado com um homem perfeito, cuja fidelidade conjugal estaria à altura de seus sonhos de felicidade. Ora, Lacan não era esse homem, nem nunca seria. Três filhos nasceram: Caroline (1937-1973), Thibaut, Sibylle.

A partir de 1936, Lacan iniciou-se na filosofia hegeliana, no seminário que Alexandre Kojève (1902-1968) dedicou à “Fenomenologia do espírito”. Ficou conhecidos Alexandre Koyré (1892-1964), Georges Bataille (1897-1962) e Raymond Queneau (1903-1976). Freqüentou a revista “Recherches Philosophiques” e participou das reuniões do Collège de Sociologie. Desses anos de grande riqueza cultural e teórica, tirou a certeza de que a obra freudiana devia se relida “ao pé da letra” e à luz da tradição filosófica alemã.

Em 1936, cruzou pela primeira vez a história do freudismo internacional indo a Marienbad para o Congresso da International Psychoanalytical Association (IPA). Nesse congresso, apresentou uma exposição sobre o estádio do espelho. Mas Ernest Jones cortou-lhe a palavra apenas com dez minutos de sua exposição. Foi em seguida para Berlim assistir ao Jogos Olímpicos. O triunfo do nazismo provocou nele um sentimento de repugnância.

Em 1938, a pedido de Henri Wallon (1879-1962) e de Luciene Febvre (1878-1956), fez um balanço sombrio das violências psíquicas próprias da família burguesa em um verbete da “Encyclopédie française”. Constatando que a psicanálise nascera do declínio do patriarcado, Lacan apelava para a revalorização de sua função simbólica no mundo ameaçado pelo fascismo.

Desde 1937, apaixonou-se por Sylvia Maklès-Bataille (1908-1993). Separada nessa época de Georges Bataille mas continuando a ser sua esposa, atuou em um filme de Jean Renoir (1894-1979), “Ume partie de campagne”. Era mãe de uma menina, Laurence Bataille (1930-1986), que se tornaria uma notável psicanalista.

Proveniente de uma família judia romena, Sylvia Bataille integrou-se à alegre equipe do grupo Octobre, com Jacques-Bernard Brunius, Raymond Busseères e Joseph Kosma. Sob a direção de Jacques (1900-1977) e Pierre Prévert, os outubristas procuravam renovar o teatro popular, inspirando-se em Bertolt Brecht (1898-1956) e Erwin Piscator (1893-1966). A irmã mais velha de Sylvia, Bianca, se casou com o poeta surrealista Theodor Frankel, a mais nova, Rose, com André Masson (1896-1987) e a terceira, Simone, com Jean Piel, diretor da revista “Critique”.

Somente Marie Bonaparte tinha por Freud um apego transferencial que não podia ser negado; ela foi, aliás, a única visita de Freud, a caminho de Londres, quando de sua passagem por Paris, em 1939. Seja qual for, o meio parecia aguardar que um homem jovem, bem dotado e de boa família, contribuísse na invenção de uma psicanálise entre nós.

Mais uma vez, a decepção foi recíproca. Na última edição da “Revue Française de Psychanalyse”, a única publicada em 1939, uma crítica de Pichon comenta o artigo de Lacan sobre “A Família”, publicado em “L’Encyclopédie française”, a pedido de Anatole de Monzie, deplorando nele um estilo marcado mais pelos idiomatismos alemães do que pela bem conhecida clareza francesa. Depois da guerra, novamente irá se encontrar, em 1945, o traço de Lacan, com um artigo publicado louvando “a psiquiatria inglesa durante a guerra”.

Quando a guerra começou, Sylvia Bataille se refugiou na zona livre. A cada quinze dias, Lacan a visitava. Em Paris, ele interrompeu toda sua atividade pública, recebendo apenas sua clientela particular. Sem pertencer à Resistência, manifestou claramente hostilidade a todas as formas de anti-semitismo. Tinha horror do regime de Vichy e de tudo o que se referisse, de perto ou de longe, à Colaboração.

Entretanto, era principalmente com sua vida privada que ele se preocupava durante os dois primeiros anos de guerra. Em setembro de 1940, Lacan encontrou-se em uma situação insustentável. Anunciou à sua mulher legítima, que estava grávida de oito meses, que Sylvia, sua companheira, também esperava um filho. Malou pediu o divórcio imediatamente e foi em plena crise de depressão que deu à luz, a 26 de novembro, uma menina à qual deu o nome de Sibylle. “Quando eu nasci, escreveria esta em 1994, meu pai não estava mais conosco. Até poderia dizer que, quando fui concebida, ele já estava em outro lugar [...]. Sou o fruto do desespero. Alguns dirão que sou fruto do desejo, mas não creio nisso.” Oito meses depois, em 3 de julho de 1941, Sylvia deu à luz a quarta dos filhos de Lacan, Judith, registrada com o sobrenome de Bataille. Só poderia usar o nome do pai em 1964. Essa impossibilidade de transmitir o sobrenome seria uma das determinações inconscientes da elaboração do conceito lacaniano de Nome-do-Pai.

No início do ano de 1941, Lacan instalou-se na rue de Lille nº5. Ficaria ali até a morte. Em dezembro, seu casamento com Marie-Louse Blondin foi desfeito por divórcio e em 1943 Sylvia se instalou no nº3 da mesma rua com suas duas filhas, Laurence e Judith. Em julho de 1953, divorciada de Georges Bataille desde agosto de 1946, casou-se com Lacan, na prefeitura de Tholonet, perto de Aix-em-Provence. Durante muitos anos, a pedido de Malou, Lacan não revelaria aos filhos de seu primeiro casamento a existência do segundo lar, onde criava duas filhas, a sua e a de Bataille. Essa confusão teria conseqüências dramáticas para as duas famílias.
“Lacan não tinha absolutamente, como objetivo, reinventar a psicanálise, escreveu Jaques-Alain Miller. Pelo contrário, situou o começo de seu ensino sob o signo de um “retorno a Freud”; apenas perguntou, a respeito da psicanálise: sob que condição ela é possível?” Em 1950, Lacan começou esse retorno aos textos de Freud, baseando-se, ao mesmo tempo, na filosofia heideggeriana, nos trabalhos da lingüística saussuriana e nos de Lévi-Strauss. Da primeira, adotou um questionamento infinito sobre o estatuto da verdade, do ser e de seu desvelamento; da lingüística, extraiu sua concepção do significante e de um inconsciente organizado como uma linguagem; do pensamento de Lévi-Strauss deduziu a noção de simbólico, que utilizou em uma tópica (simbólico, imaginário, real: S.I.R.), assim como uma releitura universalista da interdição do incesto e do complexo de Édipo.

Revalorizando o inconsciente e o isso, em detrimento do eu, Lacan atacou uma das grandes correntes do freudismo, a “Ego Psychology”, da qual seu ex-analista se tornara um dos representantes, e que ele assimilava a uma versão edulcorada e adaptativa da mensagem freudiana. Chamava-a de “psicanálise americana” e lhe opunha a peste, isto é, uma visão subversiva da teoria freudiana, centrada na prioridade do inconsciente. Como fizera no período entre guerras, Lacan continuou então a estabelecer fortes relações fora do meio psicanalítico: com Roman Jakobson (1896-1982), Claude Lévi-Strauss, Maurice Merleau-Ponty (1908-1961). Graças a Jean Beaufret (1907-1982), de quem era analista, encontrou-se com Martin Heidegger (1889-1976).

Na SPP, Lacan atraiu muitos alunos, fascinados pelo seu ensino e desejosos de romper com o freudismo acadêmico da primeira geração francesa. Começou então a ser reconhecido ao mesmo tampo como didata e como clínico. Seu senso agudo da lógica da loucura, sua abordagem original do campo das psicoses e seu talento lhe valeram, ao lado de Françoise Dolto, um lugar especial aos olhos da jovem geração psiquiátrica e psicanalítica.

Em 1951, Lacan comprou uma casa de campo, a Prévôté, situada em Guitrancourt, a cerca de cem quilômetros de Paris. Retirava-se para lá aos domingos, para trabalhar e também para receber seus pacientes ou dar recepções. Adorava fazer teatro para os amigos, fantasiar-se, divertir-se e às vezes usar roupas extravagantes. Nessa casa, colecionou um número considerável de livros que, ao longo dos anos, formaram uma imensa biblioteca, cuja simples consulta demonstra o tamanho de sua paixão pelo trabalho intelectual. Em um cômodo que dava para o jardim, organizou um escritório repleto de objetos de arte. No jirau que dominava a peça única, pendurou o famoso quadro de Gustave Courbet (1819-1877) “A origem do mundo”, que comprou a conselho de Bataille e de Masson.

Como todos os outros países, depois da Segunda Guerra Mundial, a França freudiana entrou na era dos conflitos, das crises e das controvérsias. A primeira cisão francesa se produziu em 1953, e se desenrolou em torno da criação de um novo instituto de psicanálise e da questão da análise leiga. Tendo como líder Sacha Nacht, os adeptos da ordem médica se opunham aos universitários liberais, que cercavam Daniel Lagache e defendiam os alunos do instituto, revoltados com o autoritarismo de Nacht.

Contestado, ao longo dessa crise, pela sua prática das sessões de duração variável (ou sessões curtas), que questionavam o ritual da duração obrigatória (45-50 minutos), imposto pelos padrões da IPA, Lacan ficou do lado dos universitários. Certamente, mostrava-se favorável à análise leiga, mas não compartilhava nenhuma das teses de Lagache sobre a psicologia clínica. Recusando qualquer idéia de assimilação da psicanálise a uma psicologia qualquer, considerava os estudos de filosofia, de letras ou de psiquiatria como as três melhores vias de acesso à formação dos analistas. Reatou assim com o programa projetado por Freud, quando do congresso da IPA em Budapeste, em 1918.

Seus trabalhos, empreendidos no âmbito da Associação Internacional fundada por Freud, a obra de Lacan encontraria seus referenciais institucionais na sucessão dos grupos de que ele foi fundador e mentor através de uma série de cisões e inovações.

Violentamente hostil a Lacan e impressionada com a agitação de seus alunos, Marie Bonaparte, mesmo favorável à análise leiga, deu apoio ao grupo de Nacht, provocando assim a partida dos liberais e da grande maioria dos alunos. Lagache fundou então a Sociedade Francesa de Psicanálise (SFP, 1953-1963), formada por Lacan, Dolto, Juliette Favez-Boutonier, e pelos principais representantes da terceira geração psicanalítica francesa: Didier Anzieu, Jean Laplanche, Jean-Bertrand Pontalis, Serge Leclaire, François Perrier, Daniel Wildlöcher, Jenny Aubry, Octave Mannoni, Maud Mannoni e Moustapha Safouan. A exceção de Wladimir Granoff, todos estavam (ou tinham estado) em análise ou em supervisão com Lacan.

O motivo do rompimento com a IPA foi a decisão tomada pela Sociedade Parisiense de fundar um Instituto de Psicanálise, encarregado de ministrar um ensino regulado e diplomável, tendo como modelo o da faculdade de Medicina. No entanto, a ignoraria o caráter ambíguo e espontaneamente falacioso de nossa relação com o saber, quando ele é imposto? Mas a realidade sem dúvida, era mais banal: o seminário de Lacan, os cursos na Sorbone de Legache e de Favez-Boutonier, o carisma de Dolto, atraíam a maioria dos estudantes, que, aliás, acompanharam-nos nesse êxodo. Este conheceu a atmosfera estimulante e fraterna das comunidades de liberados por sua partida..

Quando do primeiro congresso da SFP, que se realizou em Roma em setembro de 1953, Lacan fez uma notável intervenção, “Função e campo da fala e da linguagem na psicanálise” (ou “Discurso em Roma”), na qual expôs os principais elementos de seu sistema de pensamento, provenientes da lingüística estrutural e de influências diversas, oriundas da filosofia e das ciências. Elaborou vários conceitos (sujeito, imaginário, simbólico, real, significante), que desenvolveria ao longo dos anos enriquecendo-os com novas formulações clínicas e depois lógico-matemáticas: foraclusão, Nome-do-Pai, matema, nó borromeano, sexuação.

Graças a seu amigo Jean Delay, obteve um anfiteatro no Hospital Sainte-Anne. Durante dez anos, duas vezes por mês realizou ali seu seminário, comentando sistematicamente todos os grandes textos do corpus freudiano e dando assim origem a uma nova corrente de pensamento: o lacanismo. O “Discurso de Roma” foi publicado no primeiro número de “La Psychanalyse”, revista da SFP. A cada ano, Lacan daria a essa revista o texto de suas melhores conferências, que eram uma espécie de resumo dos temas do seminário. Também publicaria nela artigos de Martin Heidegger, Émile Benveniste, Jean Hyppolite (1907-1968) e muitos outros.

Durante dez anos, o ensino de Lacan deu à comunidade freudiana francesa um desenvolvimento considerável: “nossos mais belos anos”, diriam os ex-combatentes desse grupo em crise e desse movimento em busca de reconhecimento.

Ao deixar a SPP, os fundadores da SFP tinham perdido, sem se dar conta, sua filiação à IPA. A partir de 1953, iniciaram-se negociações com a executiva central, para que esse segundo grupo francês fosse filiado. Nessa época, ninguém pensava em se emancipar da legitimidade freudiana, muito menos Lacan. Apoiados por ele, Granoff, Leclaire e Perrier formaram uma “tróica”, cuja tarefa era negociar a reintegração da SFP. Depois de anos de discussão e intercâmbio, o comitê executivo da IPA recusou a Lacan e a Dolto o direito de formar didatas. As razões dessa recusa eram complexas. Lacan era acusado de transgressão das regras técnicas, principalmente das que determinavam a duração das sessões. Quanto a Dolto, o problema era, em parte, sua maneira de praticar a psicanálise de crianças, mas também sua formação didática: nessa época, os alunos de René Laforgue foram convidados a fazer uma nova análise.

A segunda cisão (“excomunhão”, como diria Lacan) do movimento psicanalítico ocorreu durante o inverno de 1963. Foi vivida como um desastre por todos os membros da SFP, tanto pelos alunos quanto pelos negociadores: Leclaire, Lacan, Granoff, Perrier, e Pierre Turquet pela Grã-Bretanha.

Em 1964, a SFP foi dissolvida e Lacan fundou a École Freudienne de Paris (EFP), enquanto a maioria de seus melhores alunos se posicionou ao lado de Lagache, na Associação Psicanalítica da França (AFP), reconhecida pela IPA. Obrigado a deslocar seu seminário, Lacan foi acolhido, graças à intervenção de Louis Althusser, em uma sala da École Normale Supérieure (ENS), na rue d’Ulm, onde pôde prosseguir seu ensino.

Em um artigo de 1964, Althusser fez um belo retrato de Lacan, bastante preciso. Apreendeu muito bem suas grandezas e fraquezas, seu rigor teórico, sua dor nos combates: “Daí a paixão contida, escreveu ele, a contenção apaixonada da linguagem de Lacan, que só pode viver e sobreviver em estado de alerta e prevenção. Linguagem de um homem assediado e condenado, pela força esmagadora das estruturas e das corporações, a prever seus golpes, a pelo menos fingir que responde a eles antes de recebe-los, desencorajando assim o adversário de abate-lo sob os seus [...]. Tendo que ensinar a teoria do inconsciente a médicos, analistas ou analisados, Lacan lhes dá, na retórica de sua fala, o equivalente mimético da linguagem do inconsciente, que é, como todos sabemos, em sua essência última, Witz, trocadilho, metáfora, bem ou malsucedida: o equivalente da experiência vivida em sua prática, seja ela de analista ou de analisado.”

Na ENS, Lacan conquistou um novo auditório, uma parte da juventude filosófica francesa, à qual Althusse confiou o cuidado de trabalhar seus textos. Entre eles, encontrava-se Jacques Alain Miller, que se casou com Judith Lacan em 1966. Tornou-se redator dos seminários do sogro, seu executor testamentário e o iniciador, a partir de 1975, de uma corrente neolacaniana no próprio interior da EFP.

Em 1965, com o estímulo da François Wahl, Lacan fundou a coleção “Champ Freudien” nas Éditions du Seuil e, no ano seguinte, em 15 de dezembro de 1966, publicou os Escritos. A obra mostrava os vestígios de sua difícil elaboração: reescrita do próprio Lacan, correções múltiplas de Wahl, comentários de Miller. Lacan recebeu enfim a consagração esperada e merecida: 5.000 exemplares foram vendidos em 15 dias, antes mesmo que aparecessem resenhas na imprensa. Mais de 50.000 exemplares foram vendidos na edição comum e a venda da edição de bolso bateria todos os recordes para um conjunto de textos tão difíceis: mais de 120.000 exemplares o primeiro volume, mais de 55.000 o segundo. Doravante, Lacan seria reconhecido, celebrado, odiado ou admirado como um pensador de envergadura, e não mais apenas como um mestre da psicanálise. Sua obra seria lida e comentada por inúmeros filósofos, entre os quais Michel Foucault (1926-1984) e Gilles Deleuze (1925-1995).

Antes mesmo do aparecimento do seu “opus magnum”, Lacan foi aos Estados Unidos, convidado para o simpósio sobre o estruturalismo organizado em outubro de 1966 por René Girard e Eugenio Donato, na Universidade Johns Hopkins, de Baltimore: “Em Baltimore, escreveu Derrida, ele me falou sobre como pensava que o leriam, especialmente eu, depois de sua morte [...]. A outra inquietação que ele me confidenciou se referia aos “Écrits”, que ainda não tinham sido publicados, mas que logo o seriam. Lacan estava preocupado, um pouco descontente, pareceu-me, com aqueles que na editora lhe aconselharam reunir tudo em um único volume [...]. Você verá, disse ele, fazendo um gesto com a mão, vai soltar.” Lacan voltou aos Estados Unidos em 1976, para fazer uma série de conferências nas universidades da costa leste. A leitura de sua obra ficaria limitada aos intelectuais, às feministas e aos professores de literatura francesa.

Confrontado com o gigantismo da EFP, Lacan tentou resolver os problemas de formação com a introdução do passe, novo procedimento de acesso à análise didática. Aplicado a partir de 1969, provocou a partida de um grupo de analistas oponentes (Perrier, Piera Aulagnier, Jean-Paul Valabrega), que formaram uma nova escola: a Organização Psicanalítica de Língua Francesa (OPLF) ou Quarto Grupo. Essa cisão, a terceira da história do movimento francês, marcou a entrada da EFP em uma crise institucional que resultou em sua dissolução a 5 de janeiro de 1980, e depois na dispersão do movimento lacaniano em cerca de vinte associações.

Em 1974, Lacan dirigiu, na Univerdidade de Paris-VIII, no departamento de psicanálise, fundado por Serge Leclaire em 1969, um ensino do “Campo freudiano”, cuja responsabilidade confiou a Jacques-Alain Miller. Encorajou então a transformação progressiva de sua doutrina em um corpo de doutrina fechado, enquanto trabalhava para fazer da psicanálise uma ciência exata, baseada na lógica do matema e na topologia dos nós borromeanos.

Atingido por distúrbios cerebrais e por uma afasia parcial, depois de passar sozinho um final de agosto, morre Lacan, em 9 de setembro de 1981, na Clínica Hartmann de Neuilly, depois da ablação de um tumor maligno do cólon. Tendo sido enterrado com uma discrição que não permitiu que muitos de seus alunos mais próximos rendessem a ele a homenagem que lhe deviam.

Certo dia, quando conversava com sua amiga Maria Antonietta Macciocchi, Lacan lhe fez uma confidência: “Ah, minha cara, os italianos são tão inteligentes! Se eu pudesse escolher um lugar para morrer, seria em Roma que eu gostaria de acabar os meus dias. Conheço todos os ângulos de Roma, todas as fontes, todas as igrejas... Se não fosse Roma, eu me contentaria com Veneza ou Florença: eu sou sob o signo da Itália.”

Dentre os grandes intérpretes da história do freudismo, Jacques Lacan foi o único a dar à obra freudiana uma estrutura filosófica e a tira-la de seu ancoramento biológico, sem com isso cair no espiritualismo. O paradoxo dessa interpretação inovadora única é que ela reintroduziu na psicanálise o pensamento filosófico alemão, do qual Sigmund Freud se tinha voluntariamente afastado. Essa poderosa contribuição fez de Lacan o único verdadeiro mestre da psicanálise na França, o que lhe valeu muita hostilidade. Mas se alguns de seus ferozes adversários foram injustos, ele se prestou à crítica ao cercar-se de discípulos pedantes, que contribuíram para obscurecer um ensino certamente complexo e muitas vezes enunciado em uma língua barroca e sofisticada, mas perfeitamente compreensível (pelo menos até 1970).

Lacan sofria de inibições na escrita e precisou de ajuda para publicar seus textos e transcrever o famoso seminário público, que se realizou de 1953 a 1979. Nove seminários entre vinte e cinco foram “estabelecidos” e publicados por seu genro, Jacques-Alain Miller, entre 1973 e1995. O vigésimo sexto seminário, do ano 1978-1979, é “silencioso”, pois Lacan não mais podia falar.

Jacques Lacan redigiu cerca de 50 artigos, em geral oriundos de conferências: 34 deles, os mais importantes, foram reunidos pelo editor François Wahl em 1966, em uma imponente obra de 900 páginas, intitulada “Écrits”, à qual se devem acrescentar as “variantes” realizadas em 1994 por Angel de Frutos Salvador. Um grande artigo de Lacan, publicado em 1938, foi editado em livro por Jacques-Alain Miller em 1984 (Les complexes familiaux), outro, “L’Étourdit”, foi publicado na revista “Scilicet”, fundada por Lacan. Enfim, duas entrevistas foram realizadas, uma por Robert Georgin para a Rádio Televisão Belga (“Radiophonie”), outra por Jacques-Alain Miller, para um filme do serviço de pesquisas da ORTF, realizado por Benoit Jacquot (Télévision). Jacques Lacan escreveu apenas um livro, sua tese de medicina de 1932 publicada sob o título “Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade, na qual relatou o caso de Marguerite Anzieu.

Seus outros artigos, assim como suas numerosas intervenções em colóquios ou na École Freudienne de Paris (EFP) estão dispersos em várias revistas. Sua correspondência é quase inexistente: 247 cartas recenseadas por Elisabeth Roudinesco em 1993. A obra de Lacan está traduzida em 16 línguas, e Jöel Dor realizou a melhor bibliografia do conjunto de títulos, publicados e inéditos.

Jacques Lacan reinterpretou quase todos os conceitos freudianos, assim como os grandes casos (Herbert Graf-Hans, Ida Bauer, Serguei Constantinovitch Pankejeff, Ernst Lanzer e Daniel Paul Schreber) e acrescentou ao corpus psicanalítico sua própria conceitualidade.

Existem dois dicionários dos conceitos lacanianos: um em inglês, realizado por Dylan Evans, outro em espanhol, por Ignácio Garate e José Miguel Marinas. Alguns dos mais belos comentários da obra de Lacan foram escritos por filósofos: Louis Althusser (1918-1990), Jacques Derrida, Christian Jambet, Jean-Claude Milner e Bernard Sichère.


Postado aqui, por José Nilton Barbosa

Bibliografia:

MARINI, MARCELE- Lacan a trajetória do seu ensino, Artes Médicas, RS-1991.

ROUDINESCO, ELISABETH - Dicionário de Psicanálise, Jorge Zahar Editor, RJ-1997.

CHEMAMA, ROLAND - Dicionário de Psicanálise Larousse, Artes Médicas, RS-1995.

LAPLANCHE E PONTALIS – Vocabulário da Psicanálise, Martins Fontes, SP-2000.

KAUFMANN, PIERRE – Primeiro Grande Dicionário Lacaniano, Jorge Zahar Editor, RJ-1996.

NASIO,J.-D.- Introdução às Obras de Freud, Ferenczi, Groddeck, Klein, Winnicott, Dolto, Lacan, Jorge Zahar Editor, RJ-1997.



terça-feira, 18 de maio de 2010

Grandes Vultos da História da Psicanálise - Freud



SIGMUND FREUD SUA VIDA E OBRA

Sigmund Freud nasceu no dia 6 de maio de 1856, em Freiburg, pequena cidade da Moravia, que se tornou parte da Theco-Eslováquia. Quando tinha 3 anos de idade, mudou-se para Viena, onde passou a maior parte de sua vida, permanecendo ali até 1938, quando as perseguições nazistas o forçaram a mudar-se para a Inglaterra. Em Viena, Freud estudou na escola de medicina, especializando-se em neurologia. De 1887 a 1897 foi o período em que Freud esteve lidando com pacientes emocionalmente perturbados, começando seriamente a se interessar pelas perturbações de pacientes com problemas de histeria. A psicanálise, começa então, nesta época, a criar suas primeiras raízes. Praticamente, a psicanálise nasce com a experiência do caso de uma paciente cognominada de Anna Ó (seu nome verdadeira era Bertha Pappenheim), que aos 21 anos apresentava em seu desajuste emocional, uma multiplicidade de sintomas histéricos associados ao fato da doença terminal de seu pai. Os sintomas eram vários, incluindo perturbações da visão e da fala, incapacidade de ingerir alimentos, tosse nervosa e contrações musculares. Em dado momento era uma pessoa normal, em outro, era uma pessoa totalmente desajustada psiquicamente. A hipnose clínica foi utilizada, e durante seus estágios em estados alterados de consciência, conseguia relatar suas experiências vividas de fantasias e emoções intensas enquanto atendia o pai. E, surpreendentemente, seus sintomas podiam desaparecer se ela recordasse, junto ao sentimento de afeto, as circunstâncias sob as quais suas emoções haviam despertado. Anna chamou a isso de “cura pela conversa”, ficando tão emocionada, que achou importante continuar a discutir sobre os seus múltiplos sintomas, um após o outro. O caso Anna Ó foi então um incentivo a ser aplicado em outros casos. Freud aprofundando os seus conhecimentos na área psicanalítica, criou a teoria do Id, Ego e Superego, além também do conceito psicológico da importância das fases Oral, anal e Fálica. A Associação Livre foi criada como técnica a ser usada durante as sessões análises. Outro grande legado de Freud foi as teorias do consciente e inconsciente, que muito ajudaram e ainda ajudam os profissionais do campo psicoterapêutico em sua compreensão dos problemas da mente humana. Sua teoria sobre análise dos sonhos até hoje ainda não foi superada em termos de compreensão científica. Hoje, é praticamente impossível alguém estudar psicologia, psiquiatria e psicanálise sem conhecer as teorias freudianas. Surgiram muitos outros novos conceitos, mas, todos tiveram como ponto de partida uma mesma base: os conceitos de Freud.

A SOCIEDADE PSICANALÍTICA DE VIENA

As reuniões começaram em 1902, com Freud e quatro outras pessoas – todos eles médicos que praticavam a psicoterapia psicanalítica: Alfred Adler, Wilhelm Stekel, Max Kahane e Rudolf Reitler. Essas reuniões, onde eram discutidos os problemas das técnicas usadas na psicanálise e outros aspectos concernentes a psique humana, tinham lugar no apartamento de Freud, nas noites de quarta-feira. Os tópicos discutidos nessas reuniões variavam muito, tendo, no entanto, um traço unificador: todos eram discutidos dentro de um ponto de vista psicanalítico. Em 1910, achou-se mais viável que as reuniões tivessem lugar no Doktorian Collegiun (Colégio de médicos). Neste período os freqüentadores ou interessados na ciência psicanalítica já não eram apenas médicos, mas, ali se encontravam também críticos de música, editor, secretário, etc. Segundo Ruben Fine, autor citado anteriormente, “em certo sentido a sociedade prenunciou o crescimento da psicanálise, de uma estreita especialidade médica a uma psicologia e filosofia de amplo espectro e grande significado cultural”.
Com o decorrer do tempo e com o surgimento de novas teorias, Freud começou a enfrentar certa oposição que acabou por afastá-lo do grupo. Ele disse sobre este grupo o seguinte:
“só havia duas circunstâncias pouco auspiciosas, que finalmente me levaram a afastar-me,interiormente, do grupo. Eu não pude estabelecer entre seus membros as relações amistosas que devem prevalecer entre homens que estão empenhados no mesmo trabalho difícil; e também não pude sufocar as disputas sobre prioridades, para as quais havia tantas oportunidades de trabalho em conjunto”.

O RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

Ao escrever seu livro sobre a História do Movimento Psicanalítico, Freud traça um histórico que enfatiza o desenvolvimento da psicanálise fora dos limites de Viena. Freud tinha sido convidado para realizar conferências públicas internacionais sobre psicanálise em vários países. A Universidade Clark dos Estados Unidos lhe conferiu honra devida sobre a sua contribuição quanto as suas teorias psicanalíticas. Em 1910, foi fundada então a primeira Associação Psicanalítica Internacional. Daí por diante, o seu crescimento continuou por todo o mundo. Possivelmente, como afirmam muitos (inclusive Freud), o principal erro da Associação Psicanalítica Internacional foi nomear Jung como seu presidente. Essa decisão Freud chamou de: “na realidade, não muito sábia”. As divergências somente aumentaram e Freud concluiu que já não era mais tão moço, e tendo um longo caminho ainda pela frente, era melhor não estar oprimido pelo dever de ser líder numa Associação que se despontava com muitas responsabilidades.

Assim, Freud renunciou a liderança (direito que lhe pertencia), e foi continuar a desenvolver seu pensamento, escrevendo livros e participando de conferências. Com a saída de Freud, escreveu Ruben Fine, “a história primitiva da Associação Psicanalítica Internacional foi perturbada pelas renúncias de vários membros importantes. Em 1911 saiu Adler, em 1913, Jung; ambos levaram consigo vários colegas. No entanto, a maioria dos analistas da sociedade ficou com Freud. Depois da saída de Jung, Abraham o substituiu e guiou a sociedade por caminhos difíceis, até sua consolidação posterior, após a Primeira Guerra Mundial. Desde então ela tem crescido continuamente...”

CRONOLOGIA DA VIDA E OBRA DE SIGMUND FREUD

1815
- Nasce Jackob Freud, pai de Sigmund Freud.
1856
- nasce Schlomo Sigismund Freud. Aos 22 anos de idade, ele muda o pe-nome para sigmund. Segundo o costeme das famílias judaicas da época, ele recebera um segundo prenome Schlomo.
1860
- Sua familia se instala em Viena.
1865
- Freuds entra na escola secundária, com um ano de antecedencia.
1873
- Aprovado com gande exito , freud ingessa na Universidade de Viena para estudar medicina, formou-se 8 anos depois.
- Freud descobe o anti-semitismo, ao lê Goethe.
- Nasce Húngaro Sandor Ferenczi, que se torna mais tarde, o discipulo preferido de Freud, e o clinico mais talentoso da história do freudismo.
- Nasce também Juliano Moreira,baiano que se torna médico e depois de formar-se em psiquiatia dinâmica na Europa, torna-se um dos inodutores das idéias freudianas no Brasil.
1875
- Freud viaja a Mancheste, onde enmcontra o meio irmão Philip e a sobrinha Pauline.
1876
- Freud desenvolve trabalho em neurologia e fisiologia.
- Entra para o laboratório de Brucke para estudar o sisema nervoso dos peixes.
- acompanha o seu curso sobre a fisiologia da voz e da linguagem.
- assiste ambém em viena às aulas de Brenano, curso de filosofia. Obrigatório para os estudantes de medicina (teorico do conceito de consciencia).
1878
- Freud conhece Josef Breuer.
- Estuda a neuropsiquiatria infantil.
1879
- começa a fequentar os cursos de psiquiatria de Theodor Meynert.
- Nasce o psicanalista ingles Ernest Jones de grande importancia para a história política do freudismo. Fez um grande trabalho de implantação das idéias freudianas no canadá e nos EUA.
1880
- Breuer inicia o tratamento de bertha Pappenheim, que sob o pseudonimo de Anna O, será também a primeira paciente histérica de Freud
- Freud traduz quatro ensaios de John Stuart Mill, sobre a quesão operária e a emancipaão da mulheres, o socialismo e Plaão.
1881
Freud conclui o curso de medicina.
1882
- Freud conhece a sua futura esposa, Matha Bernays, da familia de um comentado da Poética de Aristoteles, Jacob Bernays, interessado prinncipalmente na recosntiuição dos texo sobre a catase.
- Brauer fala com Freud, sobre o caso de Anna O.
1883
- Freud ingressa no serviço militar.
1885
- Freud é nomeado "Privatdazent" e ganha uma viagem de estudos, e vai para Paris, onde começa seu estágio com Charco na Salpêtriere. Este terá papel fundamental na formação de Freud.
1886
- Freud volta a Viena, onde se esabelece como médico e dirige o depatamento de Neurologia, primeiro instituto público para crianças. Entre 1886 e 1890, ele exerce a medicina como especialista em doenças nervosas.
- Em setembro, Freud se casa com Marha Bernays, com quem terá 6 filhos.
- em 15 de outubro, ele fez uma palesta sobre a histeia masculina na Sociedade dos Médicos.
- Traduz as "Lições de Terça Feira, de Chacot".
- Estudos de neuropsiquiaria infantil.
1887
- Freud conhece Fliess.
- Pratica hipnose.
- Reside na França, em Nancy, para trabalhar com Bernheim.
1888
- Ele publica a tradução das "Leçons sur lês maldadies du systeme nerveux", de Charcot.
1889
- Inicia seus estudos com hipnose e publica a tradução de "De ia suggestions et de sés applications à a therapeutique", de H. Bernheim.
1990
- Escreve "Traamento psiquico (ou mental) e começa a praticar om seus pacientes o método cartático.
1991
Ele instala o seu consulório na Berggasse, em Viena, onde ficaria alí até a sua partida para a Inglaterra,cerca de quase cinquenta anos.
1992
- Ele elabora o método das associações live livres (uma técnica usada pela psicanálise na qual o paciente deve esfoçar-se a dizer tudo que lhe vier a cabeça, principalmente aquilo que ele se sinta tentado a omitir).
1893
- Freud passa a se corsponder com wiljeim Fliess, seu amigo intimo e medico voltado aos estudos relacionados à sexualidade. A correspondencia ente eles dará uma grande contribuição ao desenvolvimento da teoria psicanalitica de Freud.
- Redação com Breuer, a "Comunicação Preliminar" aos "Estudos sobre a histeria.
- Ele escreve um artigo necrologico sobre Charcot que faleceeu em 16 de agosto deste mesmo ano.
- Publica em francês, na "Revue Neurologique", do artigo "algns pontos para um estudo comparativo da paralisia motoras oganicas e histéricas".
- Desxcobre os conceitos de defesa e recalcamento ou repressão.
1894
- Ele publica "as Psiconeurose de defesa" e sua tradução das "lençons dumardi", de Charcot.
_ Rompe com Breuer, E descobre o conceito de tansferência.
1895
- Nesse ano, Freud faz a sua primeira interpretação de um sonho. O seu propio sonho "A injeção de irma, que parece ser a emoção de um romance familiar da oigens e história da sicanálise.
- Nesse mesmo ano, publica em frances a oba "obsessões e fobias".
- Ainda nesse ano, em dezembro, nasce a filha de Freud, Ana Freud, que se tornará psicanalista com sua propria corrente de pensamento, ela torna-se uma celebre picanalista de crianças.
1896
- Surge pela primeira vez, o termo psicanálise, para dar nome ao método especifico da psicoterapia.
- Freud publica novos comentários sobre as "Psiconeuroses de Defesa".
- Morre o pai de Freud, Jakob Freud.
1897
- Freud dá inicio através de uma correspondencia com Wilheim Fliess,o que ele passa a chamar de auto-análise.
- Nesse mesmo ano, Freud escreve à Fliess, informando-lhe que está abandonando a eoria da sedução, segundo a qual a principal causa das neuroses sáo os traumnas causados nas crianças pelos adulos.
- Nesse mesmo ano também, Freud começa a redigir a sua teria sobre "A interpretação dos sonho", Sa primeira teoria do aprelho psiquico como um aparelho de reflexo.
- Ainda nesse ano, ele descobre o inconsciente como um sistema; descobre ambém o conceito de Édipo, tendo como primeira interpretação da tragédia de Édipo Rei, de sófocles.
1898
- Freu realiza uma conferência sobre "A Sexualidade na Etiologia das Neurises".
1899
- Publicação de "AInterpretação dos sonhos", de Freud (Sua edição porém é datada de 1900;
1900
- Em outubro, ele inicia a análise de Dora (um caso de histeria e a questão da transferência).
- nesse ano nasce Durval Baliegardi Marcondes, que se tona mais tarde o médico fundador da Sociedade Brasileira de Psicanálise. Ele tomo conhecimento das obras de Freud, aos 20 anos.
1901
- Nasce Jacques Lacan, psicquiatra e psicanalista, responsável por formular a obra feudiana, dando-lhe um carater mais filosofico e tirando-lhe o substrato biológico.
- Freud publica: "A Psicopatologia da Vida Cotidiana", "sobre os sonhos" e viaja para Roma.
1902
- Surge a pimeira Sociedade Psicanalítica do mundo, em Viena, como o nome de "Sociedade Picológica das Quartas feiras".
- Nesse ano, Freud viaja a Nápoles.
- Steckel, um disipulo de Freud, começa a praticar a psicanálise.
1903
- Freud analisa uma criança de 5 anos. É a primeira psicanálise feita em crianças.
- Descoberta da primeira teoria das pulsões: pulsão sexual e pulsão do Eu.
1904
- Freud viaja para Atenas, Grécia e a Acrópole.
- inicia corespondencia com Eugen Bleuler em Zurique e esceve sobre a psiquiatria.
1905
- Freud publica: "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade", "Fragmentos da análise de um caso de histeria" (Caso de Dora), "Os chistes e sua relação com o inconsciente", "A psicanálise e a determinaçao dos fatos nos processos jurídicos" (baseados em conferencia feita em Viena em junho de 1905 para estudantes de direito)
- Desoberta dos estágios de desenvolvimento da sexualidade infantil.
- Freu conhece Jung.
1906
- Freud começa seu ontto por correspondencia com Jung. (Jung foi amigo de Freud até 1913, suas correspondencias chegaram a 359 cartas)
1907
- Jung cria a Sociedade Freud em Zurique. Mais tarde passa a ser chamada de "Sociedade Psicanalitica de Zurique.
- Freud publica: "O esclarecimento sexual das criança", "Delirios e sonhos na Grávida de Jensen" e "Atos obsessio e prátias religiosas".
- Visita Carl Gustav Jung. Cinhece Karl Abraham
1908
- Freud recebe a visita de Sandor Ferenczi. Apartir desse primeiro encontro, trocam cerca de 1.200 cartas durante 25 anos.
- Nesse mesmo ano, acntece o Primeiro Congreso Internacionl de Psicanálise em Salzburo, com o título: "Encontro dos Psicólogos Freudianos". Nesse congresso, em que 42 membros de 6 países esiveram presentes, Freud encontra-se com Ernest Jones pla primeira vez.
- Ainda nesse ano, acontece também o Primeiro Congresso sobre Psicanálise em Salzburgo, Ausria. Hermine Von Gug-Hellmuth se torna a primeira mulher psicanalista de crianças.
- Freud publica: "Sobre as teorias sexuais das criançs", "Ecriores criaivo e deaneio", "Carater e eritismo anal" e "Moral sexual civilizada e doença nervosa moderna".
- Visita de Sandoir Ferenczi.
- Descoberta do complexo de castração
1909
- Freud publica "Análise de uma fobia em um menino de cino anos". (Pequeno Hans), "Notas sobre um caso de neurose obsessiva" (Homens dos ratos), "Romnces familiares".
1910
- É criada a international Psychoanalytical Association (IPA), no II Congresso Internainal de Picanálise de Nuremberg, sendo Crl Jung eleito seu primeiro presidente.
- Freud publica: "Um tipo esecial de escolha de objeto feita pelo homens", "Psicanálise selvagem ou silvesre", "As perpectivas futuras da terapia psicanalitica", "A significaçao antitética das palavras primitivas", "Cinco liçoes de psicanálise" e Leonardo da Vinci e uma lembrança da sua infancia" (cinco estudos da neurose à psicose).
- Realizado o congresso de Welmar.
- Alfred Adler pede renncia da Sociedade Psicanalitica de Viena.
1911
- Freud publica: "Formulações sobre os dois princiios do funcionamento mental", "Notas psicanaliticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia" (Dementia paranides, caso Scheber).
- Ernest Jones cria a Anerican Pycoanalytic Association (APSAA).
- Freud publica: "O manej da interpretaçao de sinhos na psicanálise", "A dinâmica da transferencia", "Recomendsaçoes aos médicos que exercem a psicanálise", "Totem e tabu", "sobre a tendencia universal à depreciaao na esfera do amor" e "uma nota sobre o inconsciente na psicanálise".
1913
- Início do conflio entre Jung e freud, após Jung tentar convencer Freu a dessexualizar sua doutrina. O que resulou na ruptura definitvia entre eles.
- É fundada a "Zeitschrift Fur Psychoianalyse".
- Freud publica quatro obras: "O interesse cientifico da psicanálise", "Das mentiras conadas por crianças", "O tema dos três escrimnios" e "A disposiao à neurose obsessiva".
- Ferenczi funda a Sociedade de Budapeste.
- Ernes Jones funda a Sociedade de Londres.
1914
- Jung renuncia a presidencia da Associação Internacional. E Freud escreve: "A História do movimeno psicanalitico", "Sobre o nacisismo: Uma introdução" e "Moisés de Michelangelo".
1915
- Freud publica: "Um caso de paranía que contraria a teoria psicanaliica da doença", "As pulsões e suas vivissitudes", "Observações sobre o amor transferencial" (Novas recomendações sobre a técnica da psicanálise III", "Reflexões para os tempos de guerra e morte", "O inconsciene " e "Recalcameno ou Repreessão".
1916
- Freud publica mais uma obra: "Alguns tipos de caracteres encontrados no trabalho psicanálitico" e "Sobre a transitoriedade"
1917
- Freud publica: "Conferencia introdutória sobre a psicanálise", "Luto e Melancolia", "As transformações da pulsão exemplicadas no erotismo anal" (As transformações d instinto exemplificadas no erotismo anal), "Suplemento metapsicológico à teoria dos sonhos", "Uma dificldade no caminho da psicanálise" e "Tabú da virgindade".
1918
- Freud publica: "Historia de uma neurose infanil" (homem dos lobos).
1919
- Fred publica sua obra: "O Estranho", "Bate-se numa criança" (uma criança é espancada), "Sobre o ensino da psicanálise nas universidades" e "introdução à psicanalise e as neuroses de guerra".
1920
- A filha primogenita de Freud, Sofia, veio a falecer e depois seu neto, Filho de Sofia.
- Freud poblica mais uma obra: "Memorando sobre o tratamento elétrico dos neuróticos de guerra", escrito para o processo movido contra Wagner-Jauregg, "Mais além do priniio do prazer".
- Fundação da policlinica de Berlim e do "International Journal of psychoanalysis".
- Segunda teoria do aparelho psiquico: Isso (Id), Eu (Ego), Supereu (Superego) e Mundo externo.
- Segunda teoria das pulsões: "Pulsão de vida e pulsão de morte".
- Além do princípio do prazer. Descobre o conceito de complsão à repetição.
1921
- No Brasil, em São Paulo, Durval Marcondes começa a se orientar para a psicanálise.
- Freud publica mais uma obra: "Psicologia das massas e análise do eu" (Psicologia de grupo e a análise do ego).
1922
- Freud constata que estar com um cancer no maxilar, tendo que se submeter a 23 cirurgias e a perder o maxilar superior, senso obrigado a instala uma prótese para separar a boca.
- Nesse mesm ano, foi feita primeira difusão das obras de Freud em espanhol na américa Latina.
- Ainda nesse ano, Freud publica "O eu e o isso" (O ego e o Id), "observações sobre a teoria e a prátia da interpretação de sonhos", "Dois verbees de enciclopédia" ("Psicanálise" e "Teoria da libido"), "Uma breve descrição da psicanálise", " A dissolução do complexo de édipo".
- Surge os primeiros sinais de cance de boca (Madúbula), primeira cirugia.
- Instauração do conceio do falo.
- Morre o neto de Freud, "O mais amado", Heins
- Importancia do conceito do Isso (id) como o campo mais impessoal e mais esranho ao Eu (ego).
De
1924 à 1939, muitas coisas coisas aconteceram, muitas obras foram publicadas.
1939
- Nesse ano, a ciência médica, tem uma grande perca. Aos 83 anos, no dia 23 de setembro, às três horas da manhã, depois de dois dias de coma, vítima de um câncer na mandíbula, do qual sofreu durane 16 anos, Freud morre tranqüilamente, deixando um legado de grandes proporções, que tem sido um referencial de grande valor para a psicanálise.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

NEUROSES

Muito se fala em problemas de ordem psíquica e neurológica, mas pouco se fala sobre as neuroses. Segundo o Professor Albino Aresi “Neurose é a frustração de uma necessidade fundamental psicossomática, super-valorizando as tendências do id, ou seja as pulsões do corpo, e minimizando as exigências do espírito, da alma, pela violação da hierarquia de valores”. Em consequência, nos sindromas nosológicos (oriundos da nosologia, que é a parte da medicina que trata da classificação das doenças de toda sintomatologia psiconeurótica) sempre haverá directa ou indirectamente a sufocação do super-ego pela super-valorização das tendências fundamentais biológicas do id como poderá haver frustrações patológicas das próprias tendências desse id como o misticismo doentio, como acontece no Estoicismo dos faquires que fazem a greve da fome, sendo estoicismo uma corrente filosófica datada do séc. XIV que pretendia tornar o Homem insensível aos males físicos e morais, princípios rígidos, austeridade, tendência para a indiferença dos bens da terra; do Niquilismo Brahamanes, em que procuram a auto-mutilação ou o auto-mutismo numa auto-punição em que os que se sentem culpados procuram a auto-destruição. Implicitamente a neurose sempre contem uma inversão de valores, e segundo Rudolf Allers, a neurose origina-se da exaltação da tensão que existe no Homem entre a vontade de poder e a impossibilidade de poder, o que origina como consequência uma forte revolta contra a limitação, a sua finitude, a impotência naturais, revolta essa transformada em doença ou anormalidades pelas somatizações ao comportamento perverso.

Ludwig Knoll considera a neurose como sendo proveniente de perturbações psíquicas não apresentando muitas vezes qualquer causa física, nesse senido, a neurose é funcional, mas não orgânica; embora dê origem frequentemente as consequências orgânicas que são as doenças psicossomáticas que afectam tanto o psiquismo como o corpo. Segundo Ludwig Knoll que consegue resumir teorias Freudianas, Junguianas, Teillaristas, etc., “as neuroses resultam de conflitos que não puderam ser resolvidos entre desejos pulsionais e obstáculos ou inibições que se opuseram à sua realização”. As neuroses baseiam-se essencialmente: num conflito íntimo, num conflito intra-psíquico. Na formação educativa da criança, esta cresce em ambientes cujas regras convencionais ou convenções dogmatizadas que conduzem a interdições constrangedoras, e originam medos como do que se diz, do que se pode dizer e afectar, de desagradar, de falhar, das críticas… que são interiorizadas e recalcadas com grande sofrimento por vezes e passam ao longo do tempo para os níveis do inconsciente.

Está comprovado que os conflitos que levam à neurose são originados desde as infâncias, pois os adultos não lhes podem fazer compreender as regras preconceituais que lhes impõem. As neuroses infantis são frequentemente ignoradas pelos adultos que as interpretam como comportamentos naturais da infância ou são rotulados por vários defeitos éticos. Mas a verdade é que deixam sempre marcas donde poderão resultar mais tarde algumas das variadíssimas neuroses do adulto. Muitas vezes por não terem sido resolvidos problemas infantis graves e apenas recalcados, os conflitos mantêm-se inalterados no inconsciente, mesmo que surgissem mudanças vivenciais estes conflitos infantis ficam como uma fixação na infância e pode surgir o “infantilismo” e outros tipos de doenças neuróticas. O adulto neurótico, sem o saber, comporta-se com os que lhe estão mais perto, especialmente os familiares, como se comportava muitas vezes na infância. A pior situação neurótica de um lar está contida na “família ansiosa”. A ansiedade dos pais pode manifestar-se pelo comportamento super-protector, um dos principais factores para a criação de estados neuróticos. As crianças assimilam essa ansiedade que se avoluma. O excessivo cuidado dos pais cria insegurança nos filhos, provocando muitas vezes revolta e até agressividade. A ansiedade dos pais pode chocar-se com a rebelião da criança que considera a super-protecção como uma restrição à sua personalidade. Muitas vezes essa atitude super-solícita dos pais, interpretada pelas crianças como punitiva e crítica pode agravar a revolta da criança, a qual, por sua vez, aumenta a ansiedade e desaprovação dos pais. Nunca esquecer, a criança é um verdadeiro radar! Capta tudo o que se passa entre os pais e dos que lhe estão mais próximos. Normalmente é a mãe, quem mais está com a criança. A influência de uma mãe neurótica sobre um filho é notável, dadas as características afectivas-emocionais de que se reveste a relação, resultando frequentemente conflitos intra-psíquicos gravíssimos, problemas graves de se resolver. No traamento das neoroses infantis, frequentemente é necessário tratar primeiro os pais, pois pais nervosos, inseguros, que vêem perigo em tudo, geram filhos fóbicos, tristes, e são causadores da grande doença que é a perda de mecanismos de defesa, ou seja a “perda de defesa vital”.

Como já afirmei os conflitos geram-se a partir da infância obrigando a criança a comportamentos que ela não entende, especialmente preconceitos tradicionalistas e convencionalistas, que variam consoante civilizações e até de família para família, que são verdadeiras agressões à natureza da criança. A transgressão dessa hierarquia de valores estabelecidos é inevitavelmente sentida como um angustiante complexo de culpa; essa transgressão gera na criança e mais tarde no adolescente uma afronta ao “Eu” intrínseco levando-a a uma baixa auto-estima. Este dilema psíquico provoca no Homem as neuroses noógenas que vêem desde a infância e provocam na grande maioria da humanidade conflitos intra-psíquicos numa luta entre os valores do espírito, da ética e as pulsões da matéria. Estes conflitos conduzem ao que Freud e Addler chamam de “perversão”, que nada mais é, que uma situação de desorientação mental e física, e nome este que diz quase exclusivamente ao comportamento sexual e às relações de afectividade originando uma infelicidade no Ser que os vive, problemas psicosexuais muitas vezes escondidos.

A PERVERSÃO que Jung e outros psicanalistas consideram como um desvio que diz respeito quase exclusivamente ao comportamento sexual e às relações de afetividade que seguem caminhos fora da normalidade. Por exemplo, os neuróticos psicosexuais podem ter práticas de perversão variadas, como: a sexualidade inibida e que provoca fixações, ou jovens que estão privados de contactos sexuais até muito tarde que torna o organismo inevitável, e tudo é uma maneira de satisfazer sexualmente o que é interdito ou inacessível.

Quero ainda deixar nesta página, algo sobre traços fundamentais do neurótico em qualquer das manifestações de neurose.

Normalmente o neurótico está muito sujeito a doenças tanto físicas como emocionais. No entanto, investigações profundas, e estudando os “porquês” concluíram que a susceptibilidade à doença tem frequentemente origens psicológicas e o enfraquecimento das defesas biológicas que pode originar com maior risco a doença física em situação de sofrimento psicológico. Também investigadores científicos encontraram provas que os indivíduos possuidores de certos traços neuróticos da personalidade, como a ansiedade crónica, o pessimismo, a hostilidade, têm fortes probabilidades de adoecer cerca dos 40 anos, surgindo frequentemente numerosas psicossomáticas. Outros comportamentos neuróticos que vulgarmente acompanham a humanidade, sem que se lhe dê importância, é a repetição da verificação se o bico de gás está apagado, voltar a verificar várias vezes se as luzes não estão acesas, se as coisas ficaram devidamente tratadas que nada possa originar perigo, e até depois da porta cerrada e já a caminho para ir descansar voltar atrás para verificar novamente se a porta ficou bem fechada.

E por vezes as pessoas ainda permanecem inseguras e quando continuamente preocupadas, aflitas por este género de ansiedades e dúvidas podem originar um distúrbio de personalidade chamado Neurose Obsessiva-Compulsiva.

Outro exemplo é alguém afligido com opressivo receio de contágio, de infecções, lava as mãos dezenas de vezes por dia. Uma compulsão de asseio exagerado de qualquer tipo provou-se que não tem verdadeiramente relação com o asseio físico e aspira antes restaurar valores desconhecidos de sentimentos dignos, de ética queinconscientemente parecem ameaçados.

Uma utra manifestação neurótica é quando alguém não consegue começar a trabalhar sem ter arrumado na sua secretária todos os objectos na ordem precisa e determinada habitual, pois se assim não estiver o indivíduo não tem o sentimento de segurança.

Os neuróticos pela sua imaturidade emocional manifestam-se em geral egoístas e egocentristas, orgulhosos (máscara que por vezes encobre muitos complexos), ambiciosos e ávidos de poder e domínio. As principais manifestações do neurótico além destas e outras são a susceptibilidade, melindre exagerado, uma insegurança angustiante e o escrúpulo, que não é mais que um contínuo remorso das falhas passadas. Comenta frequentemente as vivências e os erros do passado, preocupando-se exageradamente com ele, justificando culpas sempre com racionalizações. A psicologia profunda define o escrúpulo como um desvio de culpabilidade precisando por vezes de se punir e acusa-se de tudo, num processo inconsciente. Nunca esquecer que o medo é indubitavelmente o elemento essencial para qualquer neurose. Tornam-se por vezes supersticiosos pela sua insegurança.

O neurótico para sustentar a sua personalidade desajustada e insegura cria mentalmente por vezes como realidade situações imaginárias em que o egocentrismo é uma característica fundamental do seu carácter. Ele vive num sofrimento dolorosamente real, por vezes num verdadeiro martírio. Não sabe nem consegue encontrar capacidades de se libertar dos penosos sintomas orgânicos e de viver num mundo psiquicamente angustiante. Vive iludido, tendo como um dos traços fundamentais a falsidade em que assenta as suas vivências, refugiando-se em continuas máscaras de racionalizações permanentes e perdendo por vezes a sua identidade.

Também se pode descrever como neurótica uma sociedade no seu conjunto. Há toda uma série de conflitos entre os indivíduos que não são resultado de decisões conscientes, que são recalcados, deslocados, desajustados de tal modo que não conseguem descortinar as motivações, as causas das situações. Estes indivíduos geram conflitos entre humanos com quem não se conseguem adaptar.

Fonte: http://www.portugal-linha.net/arteviver/new_page_6.htm.